quinta-feira, 31 de março de 2011
quarta-feira, 30 de março de 2011
sexta-feira, 25 de março de 2011
quarta-feira, 16 de março de 2011
sábado, 12 de março de 2011
quinta-feira, 3 de março de 2011
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
sábado, 12 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

A propósito de um texto que li, de uma mulher que homenageia uma amiga cuja vida foi interrompida por "vontade" própria:
Independentemente dos motivos que estejam presente nesta história, ela faz-me reflectir, mais uma vez, sobre os modelos que criámos, e que em nada fluem com a Vida. Todas nós, nem que seja apenas em determinados momentos mentimos relativamente ao nosso estado emocional e mental. Todas temos momentos em que fugimos de olhar o espelho e encarar de frente, olhos nos olhos a pessoa que está do outro lado.
A estrutura familiar e social não perdoa, e por medo de não encaixarmos, de não sermos suficientemente boas passamos a vida a fingir que está tudo bem. A verdade que observo no entanto diz-me precisamente o contrário - quase nada está bem, e muitas pessoas estão a experimentar o inferno nas suas vidas.
Relacionamentos completamente desajustados, dependências, violência emocional, pressão económica, dor física... a maioria das pessoas vivem na espiral da embriaguêz do sofrimento a maior parte do tempo.
E para dificultar, as mulheres divorciaram-se umas das outras, e a capacidade inata de nos curarmos mutuamente perdeu-se. Um abraço, uma palavra, nem que seja a verdade nua e crua, mas que em Amor jamais poderá ferir... o silêncio, a cumplicidade... tudo se perdeu... em vez disso temos medo de dizermos que não estamos a aguentar a pressão, até porque ninguém tem paciência para pessoas que não estão bem... e por vezes são apenas momentos, nada mais do que isso... momentos que se poderiam diluir ou amenizar num desabafo...numa partilha amorosa.
A solidão invadiu as vidas de muitas mulheres quantas vezes rodeadas de pessoas por todos os lados...
Por isso sinto tanta falta das partilhas, das que vivi e das que ainda-não-vivi: da entrega, do brilho nos olhos, da dança das almas, da nudez... dos gritos, das lágrimas, dos uivos, dos sorrisos. Saudades da nossa natureza intima e selvagem, livre e plena. ...
Podemos fazer tanto e fazemos tão pouco...
Ainda estamos tão mergulhadas no sono da inconsciência e nem nos apercebemos que à nossa volta outras estão a sufocar por um abraço...
O meu coração fica suspenso quando me deparo com tamanho sofrimento e desespero... Quero acreditar que nos vamos levantar todas... uma a uma... pela Vida!
Um Abraço.
Mizé
Janeiro de 2011
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Despojos de Vida

Umas horas passadas no Hospital fazem-me meditar mais uma vez no Sonho que escolhemos viver. Este pedaço de tempo a que chamamos vida, é um sopro fugaz na imensidão do Sem –Tempo, e contudo tão sentido como se fosse esta a única realidade. Embrenhados na ilusão dos medos criamos um cenário no qual nos arrastamos em sofrimento, numa busca constante da salvação que virá a seguir, de um dia que nunca mais chega...
Vi e senti à minha volta um mundo de dor e sofrimento, de corpos ao abandono e presos à vida por fios artificiais, de homens-meninos em pranto, de constantes preces a Deus, a Jesus, e à Virgem Maria, de vidas esquecidas, de almas mutiladas. Em todos senti o compasso lúgubre do tempo e uma densidade emocional capaz de arrastar para o abismo a própria história pessoal.
Medito nos mundos dentro do Mundo, nas vidas perdidas, na ausência das palavras... e interrogo-me sobre o que nos faz – humanos – experimentar a Vida desta forma tão grosseira, tão pesada, tão sufocante, tão sem sentido...
Não tenho respostas, apenas observo, e se por momentos me apeteceu abraçar todos num mantra de cura emanado do Coração, logo voltei a mim, a uma neutralidade que me distancia do que não acredito.
Estamos aqui para viver o Sonho, e amanhã é tarde demais para o corrigir.
Hoje Acredito que o Sonho é leve e sem limites, e não essa massa putrefacta que nos parece condenar à nascença.
Acredito que Agora é o Momento de questionarmos e reinventarmos todas as programações, num rasgo de Coragem e Determinação. Tempo de escutar a Intuição, de falar com o Coração, e de Sonhar com a Alma. Tempo de ousar ser Liberdade Consciente. Tempo de nos desnudarmos para que o Caminho seja Leve. Para que outras formas de Vida mais Subtis se possam manifestar e interagir sem risco de Contaminação pela densidade da Aura Mental deste Planeta e por nós criada ao longo de vidas.
O Novo Mundo de que falam os profetas está a começar a ser Sonhado, mas todos somos chamados a assumir responsabilidades. O respeito básico pela Vida, a começar pela nossa, é fundamental. A Vida quer-se cumprir em Simplicidade.
Parar, Observar, Sentir.
...
Se este fosse o teu último sopro com este corpo o que desejarias ver no teu epitáfio?
...
Criar, Amar, Agradecer.
Viver!
Mizé
Dezembro, 2010
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
De mãos dadas

O que mais limita as mulheres do mundo que observo, já não é a prepotência e dominância masculina, mas muito mais o desconhecimento da sua natureza selvagem, intuitiva e profundamente amorosa, da força alquímica que nos habita, capaz de criar e de destruir apenas pela vontade.
Limita-nos a competividade umas com as outras, reflexo da falta de auto estima e da entrega do poder pessoal. Limita-nos a vitimização e desresponsabilização pelas nossas vidas.
Limita-nos a crença no socialmente correcto e nos medos criados pela máquina do sistema que nos escraviza.
Limita-nos a carência de amor próprio, incapazes de olhar e honrar o corpo na sua natureza abundante, e sob qualquer forma bela. Incapazes de nos libertarmos dos modelos de beleza repressivos que criamos e alimentamos. Limita-nos o medo de sermos tocadas, amadas, esquecidas, preteridas. O medo de arder em desejo e explodir orgasticamente para além do corpo.
Limitam-nos as memórias do que não fomos capazes de fazer ou fizemos mal.
As feridas da Mãe, do Utero abandonado.
Limitamo-nos cegamente a nós mesmas alimentando o medo da imperfeição e da solidão. Mulheres fechadas estarão sempre sós. Mulheres plenas nunca o estarão, ainda que amem a presença do outro.
Limita-nos o exercício do poder e controlo no papel predominantemente masculino que escolhemos viver nas últimas décadas e que nos afasta cada vez mais da essência primitiva e amplamente consciente dos ciclos naturais.
Limita-nos a falta do cheiro da terra, dos uivos, dos cios, das grandes rodas de partilha. ....
Mizé
Novembro de 2010
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Estou aqui para me despir

... estou aqui para me despir...
Quando julgamos que somos seguros e plenos de conhecimento, a Vida, na sua suprema sabedoria, testa-nos, e experimentamos o inferno nas teias tecidas por nós mesmos.
Nesse inferno alquímico, de entranhas em dor, a natureza profunda e selvagem sopra os primeiros murmúrios, rasgando na pele novas formas, novos rostos, novos sons, novas cores, novos perfumes, de uma Alma que deseja ser Luz em Liberdade.
Quando julgamos que não sabemos nada, que não somos nada, e em ausência de nós, entregamos o nosso poder pessoal a outros, a Vida, na sua Infinita paciência, atira-nos para o abismo, construído por nós mesmos por debaixo dos aparentes alicerces.
Em queda vertiginosa, ainda tentamos agarrar o que nos parece ser seguro, lançando no abismo os nossos despojos.
A queda relembra a nossa fragilidade, e começamos finalmente a questionar o sentido da vida, face à brevidade do tempo, e ao adiar dos sonhos.
Nesse estado de caos nada parece encaixar, e a sensação de isolamento chega como um cavalo em fuga – já não sei de mim, já não reconheço quem fui, já não sei quem sou. A Alma arde de febre e começamos a ser deserto.
E é neste espaço/tempo sagrado, no Templo Interno, que finalmente nos começamos a reconhecer, e nos começamos a curar a nós mesmos, abraçando a sombra, lambendo as feridas em recolhimento intimo e amoroso...
Os braços começam soltar-se e as mãos humildemente a abrir-se.
No processo de transmutação somos semeadura espalhando ao vento embriões de liberdade, do tanto que ainda não sabemos ser, mas já sonhamos...
Da finitude nasce o infinito, do fim nasce o inicio. Do caos nasce a harmonia.
Do querer nasce a poesia, nasce o amor a dourar o olhar.
Novos mundos emergem, e a Vida saúda-nos mais uma vez. Somos festa. Somos dança balsâmica a voar Primaveras.
E de tanto nos termos nos desejamos leveza, sendo pousio para escutar os ventos.
Novas vozes chegam, velhas aves partem, pois que tudo é, na Grande Roda, o Pulsar impermanente.
...
Todos os momentos são mágicos quando vividos em entrega e confiança na Vida.
Absorver, ou despejar, tudo é válido. Tudo é renovação. Tudo é encontro.
Todas as experiências nos conduzem a um estado, seja ele qual for, para que do saber se passe ao sentir. Um acontecimento interno, que não se explica.
A colheita acontece quando o coração, despido já não se apressa a querer...
Quando deixamos de perguntar, de querer intelectualizar. Quando deixamos de procurar, de estar em esforço.
Quando finalmente nos começamos a “despir”, pois só a NUDEZ revela a Verdade.
Serenamente, a colheita transforma-se em bençãos nutrindo o coração que, dando sentido ao Ciclo as multiplica e doa incondicionalmente à Unidade.
...
... estou aqui para me despir...
...
Mizé
Agosto de 2010
